Apresentação

Gerar, disseminar e debater informações sobre BABY FOOD, sob enfoque de Saúde Pública, é o objetivo principal deste Blog produzido no Laboratório de Vida Urbana, Consumo & Saúde - LabConsS da FF/UFRJ, com participação de alunos da disciplina “Química Bromatológica” e com apoio e monitoramento técnico dos bolsistas e egressos do Grupo PET-Programa de Educação Tutorial da SESu/MEC.

Recomenda-se que as postagens sejam lidas junto com os comentários a elas anexados, pois algumas são produzidas por estudantes em circunstâncias de treinamento e capacitação para atuação em Assuntos Regulatórios, enquanto outras envolvem poderosas influências de marketing, com alegações raramente comprovadas pela Ciencia. Esses equívocos, imprecisões e desvios ficam evidenciados nos comentários em anexo.
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domingo, 13 de julho de 2008

Baby Food - Probióticos

A preocupação em relação à alimentação saudável vem crescendo a cada ano que passa e atinge praticamente todas as idades. Tendo isso em vista, as indústrias alimentícias adequaram-se a esse novo conceito de “vida saudável”, oferecendo atualmente uma gama de produtos que se apresentam como grandes complementos alimentares e que chamam a atenção do consumidor através de diversas estratégias, como por exemplo, o rótulo.

Um dos alvos preferidos das indústrias alimentícias são as mães, que na busca pelo bem estar físico e mental dos seus filhos, principalmente bebês, acabam sendo envolvidas pela proposta desses alimentos e muitas vezes certos enganos podem ser cometidos ou até induzidos, com uma simples observação do rótulo dessas fórmulas infantis.

Ao entrar em uma farmácia ou supermercado, essas consumidoras se deparam, dentre outros produtos, com o NAN 1 PRO e NAN 2 PRO e logo, surgem certas dúvidas como: “Qual será a diferença entre esses dois produtos?; “ Qual é o significado de 'PRO' ”?

A proposta desse trabalho é com uma linguagem direta esclarecer essas dúvidas, através da análise do rótulo desses produtos, com o olhar de profissionais da saúde e consumidores.

O produto NAN 1 PRO informa em seu rótulo a presença de DHA (ácido docosahexaenóico) e ARA (ácido araquidônico) que são ácidos graxos essenciais1 de cadeia longa e que participam do processo de desenvolvimento imunitário da criança em desenvolvimento ,enquanto que o produto NAN2PRO informa em seu rótulo a presença de DHA e Probióticos.








Os probióticos são, segundo a OMS, “organismos vivos que quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro”.

A primeira vista, a expressão PRO usada no rótulo desses dois produtos refere-se ao termo probióticos, porém, já de posse do significado de probióticos, percebe-se que apenas o NAN 2 PRO pode fazer uso dessa expressão, pois dos dois produtos é o único que apresenta em sua formulação culturas de lactobacillus e bifidus. Estes microorganismos apresentam, dentre outras funções, a capacidade de competir com microorganismos patogênicos diminuindo dessa forma, a ocorrência de diarréias, comuns em bebês.

Comunicação cruzada entre bifidobactérias e o epitélio da mucosa intestinal








Com base no que foi acima exposto, questiona-se a possibilidade de a indústria responsável pela fabricação dessas duas fórmulas infantis, ao fazer uso da expressão “PRO” para ambas encontra-se fora da legislação apropriada. Na verdade, de um lado pode-se considerar sim um erro a utilização de “PRO” na embalagem, ainda mais porque pode induzir o consumidor a pensar que tanto NAN1PRO como NAN 2PRO são alimentos probióticos e sendo assim, o NAN 2PRO seria um segmento do NAN 1PRO.

Porém, há também a possibilidade de que o prefixo PRO utilizado venha com intuito de afirmar que o produto destina-se à promoção de uma alimentação saudável, sendo este “a favor da saúde da criança”.

Sendo assim, deixa-se aberta a discussão sobre usar ou não usar estrategicamente termos dúbios na rotulagem de produtos disponíveis no mercado, apelando-se para a ética das empresas relacionadas como para a atenção dos profissionais da saúde, como médicos, nutricionistas e farmacêuticos, além do interesse da comunidade consumidora.

Naiara Santarem

Sally Liechocki

*1- Os ácidos graxos essenciais são os ácidos graxos que não são produzidos bioquimicamente pelos seres humanos e devem ser adquiridos da dieta.